sexta-feira, 17 de abril de 2020

trocando ideia com Dulcinéa



uma crônica cômica para a atualidade

Eles me querem morto, Paixão!...
Te querem?
Não, Paixão... querem que eu morra.
Mas você vai morrer, uai! Eles querendo ou não.
Não, Paixão! Eles querem fazer com que eu morra.
Ah, sim! Nesse caso, não há outra coisa a se fazer a não ser fugir. Cê tem passaporte?
Paixão, eu não tenho nem mais de um par de sapatos, como cê quer que eu tenha passaporte ?! Além do mais, esse negócio de voar tá tão perigoso que, se eu tentar fugir desse jeito, ainda corro o risco de morrer sem que eles me matem!
Então! Aí está a solução!
Como assim, Paixão?
Ué, vê bem: se você morrer num acidente de avião, estará a salvo de morrer pela mão desses que te querem morto.
Paixão, eu não quero morrer nem de um jeito, nem de outro!
Ué, mas aí fica difícil...
Difícil o que, Paixão?
Uai, você não quer morrer nem de um jeito, nem de outro... você acha que vai ficar pra semente?
Não é nada disso. É que neste momento da vida eu não gostaria de morrer, nem em um acidente de avião, muito menos pelas mãos deles.
É... aquele frango assado que a gente comeu ontem também não queria morrer, e olha no que deu.
Ah! Quer saber?! Vou pegar um ônibus para Foz do Iguaçu; dificilmente me procurarão lá.
E como vc tem tanta certeza?
Porque eles são jurados lá por aquelas bandas.
De televisão ou de tribunal?
O quê??
Cê disse que eles são jurados; quero saber se de programa de auditório ou de júri, de tribunal e tudo...
Ah, Paixão, não é possível conversar contigo...
Como não? Estamos conversando já tem uns minutinhos.
É, você não entende nada mesmo!
Talvez porque vc não me explica nada. Já tem um tempinho que vc fica aí falando que “eles te querem morto”, mas não disse ainda quem são eles?
Achei que você soubesse, Paixão.
Não. Quem são?


Os moinhos de vento...

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